{:br}

Melhor de 2018 em SP

O rock é inglês, apesar de ter nascido nos Estados Unidos e ganho projeção no gingado de Elvis Presley. O futebol é brasileiro, apesar de invenção inglesa. Sobre o macarrão, muitos o acham italiano de criação, chinês de nascimento, embora haja disputas historiográficas sobre a origem do carboidrato mais famoso do mundo. História à parte, a lenda mais saborosa aponta que Marco Polo, em uma de suas viagens ao Oriente, trouxe na mala macarrão e os italianos transformaram-no em um dos mais famosos pratos de sua culinária. Cresci com uma avó, de ascendência italiana, que acordava de madrugada para fazer o molho de tomate que cozinhava por cinco horas até ficar pronto ao meio dia e que, por volta das dez da manhã, quando o molho estava no terço final de cozimento, começava a preparar a massa que seria servida, geralmente macarrão. Devo admitir que minha história é italiana, meu cardápio de sensações, mas fui levado a deixar isso tudo de lado, ao experimentar as novas massas que o Tan Tan oferece desde sua reabertura nesse segundo semestre, após uma reforma que dobrou seu espaço e criou dois balcões, um de frente para a cozinha, outro de frente ao bar.

nadia jung _ tan tan

BRASIL ADENTRO

Tempo, distância, esquecimento são os principais substantivos usados para deixar um restaurante de lado. Prefere-se a comodidade da moqueca que fica a duas quadras, a rapidez do serviço do escondidinho da esquina, esquecem-se algumas mesas em detrimento de outras às vezes apenas pelo hábito e comodidade. É assim comigo e com o Tordesilhas, há duas décadas na alameda Tietê, cozinha de Mara Salles, uma das precursoras da valorização da gastronomia brasileira em terras paulistanas desde 1985 quando abandonou o cargo de secretária do banco Itaú e se aventurou no Roça Nova, no bairro de Perdizes. Entre os pratos brasileiros que mais gosto está a moqueca capixaba, que aqui serve duas pessoas, demora uns cerca de 40 minutos para vir e chega esfumaçante pela mesa, arrebatando a curiosidade e o olhar das mesas ao lado. O arroz branco soltinho, o melhor pirão de São Paulo, o peixe cozido na hora, o caldo na medida certa, tudo conspira a favor. Dúvida: há alguma moqueca melhor em São Paulo? Cartas à redação, no estilo Ancelmo Góis.

TORDESILHAS
Captura de Tela 2018-11-04 às 02.24.09

VÍDEOS

Toda semana trazemos vídeos sobre degustações, dicas de vinhos e curiosidades da gastronomia

Naquele dia em Chambolle

Faltavam 15 minutos para a uma da tarde, horário reservado três semanas antes para uma mesa para dois no restaurante Le Millésime, no coração da minúscula cidade com pouco mais de 200 habitantes e alguns dos melhores vinhedos do mundo. Enquanto preparávamos para subir os lances da curta escada na frente do restaurante, que fica de frente ao Château Chambolle Musigny, propriedade de Frédéric Mugnier, ouço o barulho de porta de carro sendo fechada. Olho para quem sai do veículo.

– Viu quem é?
– Quem?
– Aubert de Villaine?
– Sério?
– Sim.
– Não falo mais nada, ontem você viu o Ramonet a um quilômetro de distância.
– Vou pedir uma foto.
– Não peça, eles não gostam.

– Vou pedir.

AO MESTRE, COM CARINHO

Escolher vinho na década de 1980 no Brasil não era uma tarefa fácil. Mal havia computadores, telefone fixo era item obrigatório na declaração de Imposto de Renda. Assim como as ruas eram povoadas de Escorts, Gols, Passats e Monzas, nos supermercados, as garrafas azuis de Liebfraumilch ocupavam a maior parte das gôndolas disputando espaço com garrafas de chianti embaladas em palha. Vendia-se ainda guaraná champagne.

Foi ali que Nelson Luiz Pereira começou a se aventurar pelo mundo do vinho. Sabia apenas que a avô de sua então namorada, futura esposa (Maria), gostava dos Portos feitos por Adriano Ramos Pinto. Tinha-os provado e gostado. Um dia resolveu dar um presente que não fosse um Porto. Olhou as gôndolas, pegou garrafas e viu que não sabia qual a diferença entre um espumante, um vinho branco, um tinto suave e um tinto seco, nem quais as alternativas de vinhos doces ou fortificados.

Nascido em 1959, em um almoço com a participação de John Kappon, dono da nova-iorquina Acker, uma das maiores empresas de leilão de vinho do mundo, ele teve a oportunidade de beber alguns grandes bordeaux lado a lado e alguns grandes bourgognes. Latour 1959 é grandioso, mas uma garrafa de Mouton o deixou extasiado a ponto de confirmar os 100 pontos dados por Parker. “Um licor de cassis misturado com floral e um tabaco de Havana sensacional. Taninos totalmente polimerizados, equilíbrio perfeito, e um final muito bem delineado. Vai um pouco de gosto pessoal, mas a suavidade e elegância destes tintos envelhecidos são experiências únicas”, diz. Mouton, Lafite e Haut Brion são os três preferidos do ano do seu nascimento.

{:}

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

limpar formulárioPostar Comentário