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Melhor de 2018 em SP

O rock é inglês, apesar de ter nascido nos Estados Unidos e ganho projeção no gingado de Elvis Presley. O futebol é brasileiro, apesar de invenção inglesa. Sobre o macarrão, muitos o acham italiano de criação, chinês de nascimento, embora haja disputas historiográficas sobre a origem do carboidrato mais famoso do mundo. História à parte, a lenda mais saborosa aponta que Marco Polo, em uma de suas viagens ao Oriente, trouxe na mala macarrão e os italianos transformaram-no em um dos mais famosos pratos de sua culinária. Cresci com uma avó, de ascendência italiana, que acordava de madrugada para fazer o molho de tomate que cozinhava por cinco horas até ficar pronto ao meio dia e que, por volta das dez da manhã, quando o molho estava no terço final de cozimento, começava a preparar a massa que seria servida, geralmente macarrão. Devo admitir que minha história é italiana, meu cardápio de sensações, mas fui levado a deixar isso tudo de lado, ao experimentar as novas massas que o Tan Tan oferece desde sua reabertura nesse segundo semestre, após uma reforma que dobrou seu espaço e criou dois balcões, um de frente para a cozinha, outro de frente ao bar.

nadia jung _ tan tan

GUIA DE PINHEIROS

A mudança de zoneamento e a abertura da estação Oscar Freire têm colocado a verticalização como palavra de ordem em Pinheiros, que ganhará nos próximos anos dezenas de novos prédios comerciais, residenciais e pelo que se ouve nas ruas um Einstein, um conjunto de salas de cinema e hoteis. A segunda parte do guia se estende abaixo da Cristiano Vianna e vai até a Francisco Leitão, onde fica o sempre obrigatório Z-Deli e o Buttina, de onde sai o melhor gnocchi de São Paulo.

Buttina – Minha avô materna aprendeu com sua mãe, que veio da pequena Tito, na Toscana, a fazer massa e molho de tomate, ambos caseiros. Como sabia que seu neto gostava de gnocchi, fazia o prato algumas vezes por mês, geralmente com molho à bolonhesa. Ensinou mal o neto, que nunca pede gnocchi em uma primeira visita ao restaurante. Só o pede depois que a mesa passa por testes prévios. A maioria dos gnocchi de São Paulo é insossa e digna de pelotão de fuzilamento. O Buttina tem um gnocchi impecável, digno da madeleine de Proust. Se gostar de bastante molho de tomate, apenas peça mais à parte.

pisando em uvas
http://pisandoemuvas.com/

VÍDEOS

Toda semana trazemos vídeos sobre degustações, dicas de vinhos e curiosidades da gastronomia

Naquele dia em Chambolle

Faltavam 15 minutos para a uma da tarde, horário reservado três semanas antes para uma mesa para dois no restaurante Le Millésime, no coração da minúscula cidade com pouco mais de 200 habitantes e alguns dos melhores vinhedos do mundo. Enquanto preparávamos para subir os lances da curta escada na frente do restaurante, que fica de frente ao Château Chambolle Musigny, propriedade de Frédéric Mugnier, ouço o barulho de porta de carro sendo fechada. Olho para quem sai do veículo.

– Viu quem é?
– Quem?
– Aubert de Villaine?
– Sério?
– Sim.
– Não falo mais nada, ontem você viu o Ramonet a um quilômetro de distância.
– Vou pedir uma foto.
– Não peça, eles não gostam.
– Vou pedir.

Espero o proprietário do DRC, o mais famoso produtor de vinhos do mundo, que faz o mais caro e emblemático rótulo do mundo, se aproximar e puxo a palavra.
– M. Villaine, posso tirar uma foto?
– Não, desculpe, mas não.

Ele sobe as escadas apressado e desaparece no restaurante.
– Não te falei, viu? Ele não gostou. E agora?
– Vamos almoçar.
– No mesmo restaurante?
– Eu fiz a reserva sem saber de nada, né? Vamos ficar numa mesa distante.
Subimos as escadas e falamos com o garçom, que oferece duas opções: uma mesa ao lado em que Villaine almoça com um amigo e outra mais distante. Seleciono essa última.

VIVE LA FRANCE

Hugh Johnson diz que, mesmo quando for retirado o último substrato do planeta, o último humano que fizer a análise da amostra não saberá por que o terroir francês é inigualável. Gerson Lopes reflete sobre isso ao redor de uma Krug 1996, dois grands crus brancos da bourgogne e quatro tintos que põem em xeque as apelações. Os tintos merecem referência: dois são os mais reputados premiers crus da região, o Clos Saint Jacques, em Gevrey Chambertin, um pentapólio cuidado por cinco produtores de renome, e o Les Amoureuses, um dos mais famosos terroirs de Chambolle Musigny. Os dois confrontam o vinho preferido de Napoleão Bonaporte (Chambertin) – reza a lenda que ele colocava água na taça para aguentar o álcool e as batalhas – e o Musigny.

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