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Vinho e guerra

Depois do leilão na Suíça em que parte da família Jayer vendeu garrafas adegadas e conservadas pelo próprio Henri por algumas décadas, agora é vez da Sotheby´s marcar para o dia 13 de outubro a venda de 100 lotes de vinhos do Domaine de la Romanée Conti (DRC) da adega da família Drouhin. As garrafas permaneceram por anos na adega privada de Robert Drouhin, que, além de comandar os vinhos de seu próprio domaine, foi distribuidor do DRC na França e na Bélgica por quatro décadas, entre 1920 e 1960. Há ainda mais história que pontos nesses vinhos: a família Drouhin teve participação no movimento da Resistência da França, que durante a segunda guerra tinha capitulado diante do avanço nazista. Maurice Drouhin, o pai de Robert, foi procurado pela Gestapo em 1944, sob a acusação de passar informações aos que resistiam aos nazistas. Maurice era o ponto de ligação entre os franceses e o General Douglas McArthur. Os soldados nazistas bateram à porta da casa dos Drouhin com a ordem de prendê-lo e levá-lo até um pelotão de fuzilamento.

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BRASIL ADENTRO

Tem bar a vinho em São Paulo com boa comida e vinhos em taça razoáveis a bons preços? Aparentemente, sim. Chama-se Vino!, ao lado da estação Fradique Coutinho, um empreendimento que une algumas importadoras (Grand Cru, Magnum, entre outras) e o chef Flavio Miyamura, que trabalhou anos ao lado de Alex Atala e teve no mesmo ponto o Miya. O menu é extenso. Tem pequenas entradinhas, como o bom tartare de salmão com maionese e dill, que variam entre R$ 15 a R$ 25. Aí tem entradas que são maiores, como o bom risoto de limoncello e frutos do mar, com preços que ficam entre R$ 20 a R$ 40. E tem os pratos principais, como o suculento e bem feito porco crocante com maçã salteada e caldo do próprio porco, com preços que ficam na média dos R$ 35. Surpreendentemente (preconceito), a comida é boa, ainda mais quando se pensa que o destaque são as taças de vinho, com a mais barata a R$ 12.

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VÍDEOS

Toda semana trazemos vídeos sobre degustações, dicas de vinhos e curiosidades da gastronomia

AGORA NO GPS

Há produtores que estão fora do radar das principais publicações, não fazem barulho como outros vizinhos, nem têm suas alocações vendidas meses antes de os vinhos chegarem às prateleiras. Quando aparecem notas a seu respeito, ganham curtos parágrafos, mesmo que elogiosos. Esse é o caso do Domaine Latour-Giraud, com mais de três séculos de história e com a maior área de produção de Genevrières, prestigiado premier cru de Meursault, hoje uma das cidades mais disputadas pelos enófilos por causa dos vinhos cada vez mais estrelados de Jean Marc Roulot, Arnaud Ente, Coche Dury.

Pierre Latour comanda o Domaine Latour-Giraud, que fica na antiga rua que abrigava um leprosário em Meursault. Hoje a rue de l´hopital não existe mais, tendo sido substituída por uma vicinal que corta a cidade e a interliga às cidades de Volnay e Puligny-Montrachet. Nem o GPS tem o Domaine no seu radar. Sorte que o senhor parado por nós sabia como se chegar lá.

VINHOS IMORTAIS

O melhor vinho dessa rodada em preferência foi o Cheval Blanc 1949, que encantou a todos com a sua vitalidade em seus quase 70 anos. Hortelã, mineral, cerejas em compotas, toques balsâmicos e terrosos, na boca taninos ultra polidos, refinamento, elegância e final de boca sem fim. Segundo Neal Martin, que agora escreve na Vinous, depois de anos escrevendo sobre Bordeaux e Bourgogne, havia no Cheval 49 algo de inspiração da margem esquerda. “O Mouton Rothschild de Saint Emillion”, diz ele.

Feito no final da guerra, o mítico Mouton Rothschild 1945 foi o segundo na preferência. Algo doce nos aromas e sabores, porém incrivelmente fresco. Traz as características de uma grande safra quente e concentrada. Para Robert Parker, este vinho é “verdadeiramente um dos vinhos imortais do século”, dando-lhe 100 pontos. “Tão grande e rico como cauda de pavão”, coloca Jancis Robinson (20/20). É daqueles vinhos para entrar em seu currículo. Há uma particularidade da garrafa, cujo desenho recebe o “V” da vitória dos Aliados na II Guerra Mundial: na época o Mouton não era um premier grand classé, mas desde o engarrafamento da safra o vinho foi considerado o melhor da safra mítica, que rendeu grandes frutos na França, apesar da safra reduzida.

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