Tenho a impressão de que hoje se usa tanto adjetivo para tanta coisa, que, quando se chega a uma mesa ou um vinho fora da curva, não se tem mais adjetivo. Nunca usei adjetivo a torto e direito. Cresci com uma mãe que nunca elogiou minhas lições de casa ou minhas notas mundo afora, sempre disse que eu podia ter feito de outro jeito ou que era para estudar mais. Criou um perfeccionista que, quando pisa em um restaurante ou um bar muito bem falado, vai com os dois pés atrás. Na maioria das vezes, os dois pés chutam e maldizem, em outras pouquíssimas vezes, os pés flutuam.

 

 

Aldo Sohm criou em 2014 o wine bar que leva o seu nome. Fica a menos de 30 passos do triestrelado Bernardin, comandado por Eric Ripert e no qual o austríaco, que venceu o prêmio de melhor sommelier do mundo em 2008, trabalha. Ao lado de uma extensa carta de vinhos, com dezenas de opções para todos os bolsos de todas as regiões do planeta, de completa seleção de taças Zalto, há um enxuto cardápio com opções em taças e pequenas porções de comida, elaboradas por um chef que trabalhou por alguns anos no Bernardin.

 

 

 

Já se foi o tempo em que as mesas abertas por sommeliers mundo afora rimavam com ótimos vinhos e fraca comida. A comida do Aldo Sohm é uma das melhores coisas de Nova York. É excelente. A tartine de atum, feita na casa, a costela em molho de redução de vinho tinto e o coq au vin são imperdíveis. O steak de berinjela é um filé Rossini para vegetarianos, uma inovação ao paladar e aos olhos. Os cogumelos da estação cozidos ao vapor e servidos com seu caldo são umami puro.

As opções de vinhos para acompanhar os pratos fogem da rotina. Só pedir para o garçom uma dica: os pratos de legumes ou de peixes podem ir com um grego da uva assyrtiko ou com um blend de uvas brancas do Alto Edige ou um spatlese alemão ou ainda um gruner veltliner austríaco. O coq au vin pode pedir uma taça de um pinot alemão ou californiano ou de um gamay de um produtor menos conhecido. Para os que não querem novidades, há dezenas de opções das mais baladadas e prestigiosas regiões do mundo, mas nesse templo de Baco se aventurar provoca grandes emoções.

Dica: o Aldo Sohm ainda oferece um menu executivo de almoço de segunda a sexta-feira, em que dois pratos saem por US$ 19 e por outros US$ 11 ainda chegam à mesa duas opções de vinhos para harmonizar com o pedido. Não conheço outra coisa melhor por esse preço a se fazer com os dois pés no chão.

https://www.aldosohmwinebar.com

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