Pretxs também bebem vinho

Quem diz que não existe preconceito no Brasil vive num mundo de fantasia. Um dos últimos países a abolir a escravidão, muito mais reflexo das revoluções que fomentavam o liberalismo num mundo eurocêntrico, o Brasil tem um grande passado a resolver.

 

Em pleno século XXI, infelizmente, é preciso dizer obviedades. Preconceito racial está também presente no mundo dos vinhos. Por isso, a gente entrevistou o Alessandro Fortunato (@ale.fortunato), um amante dos vinhos. A seguir os principais trechos:

PISANDO EM UVAS Como você a se interessar pelo mundo dos vinhos?

@ale.fortunato: Fiz a assinatura da Wine em 2010. Pagava R$ 50/mês e recebia duas garrafas em casa. Achava o máximo. Se não me engano, as primeiras garrafas foram da vinícola Canepa, sendo um Cabernet Sauvignon e um Carmenère. Lia sobre vinhos apenas na revista que era entregue com as garrafas do clube. Era minha fonte de informação. Aí, tomei um Le Volte de Ornellaia em 2011, oferecido por um amigo. Era totalmente diferente dos vinhos que eu estava acostumado a tomar. Esse sem dúvida foi um divisor de águas, pois comecei a me interessar mais pelo tema e a pesquisar mais também.

PISANDO EM UVAS: Você tem alguma região preferida?

@ale.fortunato: Viajei para algumas regiões vinícolas europeias ano passado, e a Borgonha me encantou. Hoje são dos meus vinhos preferidos e a região que mais estudo, ainda mais com todas suas subdivisões, os climats, os diversos produtores, toda a história desde quando os monges desenvolveram a viticultura. Apesar de serem caros no Brasil, os Bourgogne me encantam e eu tento tomar sempre que possível.

PISANDO EM UVAS: Já foi vítima de preconceito racial no mercado de vinho do Brasil? Existe preconceito racial nesse nicho?

@ale.fortunato: Todo o mercado consumidor no Brasil não é voltado para o povo preto, basta assistirmos às propagandas na televisão. Não compramos carro, não vamos à farmácia, não compramos apartamentos. Esse é o entendimento quando somente brancos aparecem nos comerciais. Há uma lenta mudança, porém muito necessária. É um caminho sem volta. Estão nos notando, seja por pressão dos protestos recentes ou seja por perceberem que somos consumidores também.  E no mundo do vinho, que no Brasil é vendido como um mercado de luxo, praticamente não há pretos em local nenhum. Já fui em diversas degustações onde eu era o único preto no local.
Em lojas de importadoras já perguntaram se eu era jogador de futebol, pois devem pensar que somente um jogador de futebol poderia gastar dinheiro em vinho… Não imaginam que eu sou engenheiro. Como poderia ser médico ou advogado. Ou como poderia ter qualquer profissão, entrar na loja para comprar o vinho que eu quisesse e não ser julgado pela cor da minha pele.

 

@pisandoemuvas

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