Os Meursaults de Antoine Jobard

Grosso modo, estilisticamente, há os Meursaults de estilo mais cremoso, mais macio, com sedução mais franca e aqueles com comandados pela acidez, pela tensão, pela mineralidade. A primeira categoria é bem exemplificada nos vinhos de Comtes Lafon. Já o segundo estilo de Meursault pode ser evidenciado com os vinhos de Jean Marc Roulot, que também mostram como essa vilage famosa pelos seus brancos, apesar de não ostentar grand cru, tem mudado ao longo das décadas.

Com os preços de Roulot nas alturas, há muitos excelentes produtores à mão. Em seus cerca de seis hectares, sendo 90% deles em Meursault, Antoine Jobard, que assumiu o comando do domaine em 2007, produz vinhos com tensão e energia. Madeira nova? Pouca, entre 12% a 15%. Barris de 228 litros, nada de aventuras com 350 ou 450 litros. “Não estou atrás de complicações.” Esse é seu mantra. Batônage? Muito pouca. A ideia é interferir o mínimo possível. Os vinhos demoram para chegar ao mercado. Podem ficar até dois anos sendo vinificados. Antoine Jobard não tem pressa.
São pouco mais de 2000 caixas de vinho são disputadas por restaurantes e clientes. Jobard exporta seus vinhos para o mercado dos Estados Unidos desde 1974 via Kermit Lynch. Seus vinhos são sempre servidos pela La Paulée nos Estados Unidos. Envelhecem muito bem, são gastronômicos e refinados. Se bebidos jovens, devem ser decantados obrigatoriamente. Temperatura de serviço também exige atenção: são brancos que abrem sua complexidade mais perto dos 13 graus que dos 10 graus celsius.
Em degustação na importadora Clarets, que acabou de receber os rótulos, quatro vinhos foram degustados:
Bourgogne 2018 – O domaine produz um dos melhores rótulos básicos da Bourgogne, sendo que o preço é um trunfo em um mundo em que o Bourgogne blanc de Jean Marc Roulot custa, pelo menos, o dobro. Belo aroma floral, refinado, intenso, persistente. R$ 380.
Meursault 2018 – Sobe-se um nível nesse village muito bem moldado, ainda fechado, comm toque de flores, fruta seca e um leve mineral. Daqui a cinco anos, estará uma maravilha. Bastante gastronômico. R$ 799
Meursault En La Barre 2018 – Esse talvez seja o mais convidativo dos rótulos de Jobard na juventude. Um lieux dit refinado, complexo, que tem muita vida pela frente. Em cinco anos, uma cavaquinha grelhada vai ganhar um parceiro de respeito. R$ 899
Meursault Blagny premier cru 2018 –Terroir mais ao norte de Meursault, mais distante dos premiers crus mais reputados, Blagny geralmente enseja vinhos sem a mesma atratividade de Poruzots, Genevrières e companhia, mas nas mãos certas pode produzir boas surpresas. Aqui um bom premier cru, mas, pelo preço, fico com o Meursault e com o En La Barre R$ 1.299

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